Como poderiamos definir a vida prática? Longe de discursos, aceitando as ideologias imersas em nossa cultura- cultivando-as em seu meio familiar, laboroso, social? até que ponto somos livres para pensar no que queremos sem a influencia dos hábitos já adquiridos por tradição, costumes, quem sai deles por que é considerado louco? Bandidos? Filósofos, E até mesmo artistas criativos, ou um reles vagabundo?
Indo de encontro com o pensamento de Heidegger a estranheza ou estrangeiro mesmo sentido em alemão, das coisas (objetos), das pessoas (não existe diferenciação entre ambas para ele) em seu livro Sein und Seit nos faz perceber que a angustia, um sentimento de incompatibilidade perante o mundo, “descortinanado o horizonte ôntico e explicar própria presença como entidade.” O que leva a cura ontológica; o sair de si mesmo, como acontece milhares de vezes em nossa vida essa objetivação a algumas tarefas, conversas com pessoas, contemplação e o tal ditado de piloto automático na maioria do tempo de nossas existências, nas fabricas, igrejas, escolas, círculos sócias (bares?), um conforto da experiência em que já foi testada e continua a repetir inúmeras vezes, formando o suposto caráter, habitualmente adquirido, pondo desvelada a teoria existencialista-niilista a resposta para Heidegger é a saída para “angustia que se angustia com o mundo como tal” (sem adentrar ao discurso cotidiano) com isso abre-se o mundo de maneira originária e direta não como mundanidade, singularizando, projetando as possibilidades, tendo por base “fisiológica” em sua faticidade tornando um problema ontológico, chegado a esse ponto nos diz a respeito da cura, entendendo que tal conduta seja extraordinária, essa forma de negação mesmo cultural, ideológica, habitual, não de forma meramente negativa, mas algo criativo, pre-sente (Dasein) estando lançado sem ponto de apoio, superfície a por os pés, estar lançado no mundo nadificando tradições, conceitos, para deste ponto se fazer algo inovador, transformado pelo mundo a fazer algo novo, mas se fortalecendo por conceitos simplesmente dados em nossa volta. Niestzche e já disse a respeito da vontade no mundo, volições e coisas que devem ser feitas em sua ética da “vontade de potencia” com moralidade essencialmente profunda, entendida pela inversão de grande parte de valores de nossa sociedade como imoral, (desde Sócrates em suas descobertas e diálogos com as pessoas não queriam descobrir o verdadeiro sentido de suas ações, quando expostas tornaram vergonhosos seus atos, até matá-lo talvez não ele, mas algo que queriam dissimular ou esconder ) e seu grande desprezo pelos mestres, culturas, políticas igualitárias, literaturas ordinárias que vemos alastradas em nosso tempo, Heidegger pretendeu dar um passo além, no que já foi dito em parte neste artigo. Gianni Vatimmo filosofo italiano hodierno, em seu livro “o fim da modernidade” nos diz quando caiu o socialismo, consolidando o capitalismo da forma mais terrífica já apresentada pela história, toda essa aniquilação a uma consciência comum, moldadas nos regimes totalitários e nesse liberalismo crudelíssimo em que vivemos, principalmente nós na periferia do capitalismo, sem força teórica política, sem termos apego ao futuro e ao passado, seria o niilismo como destino. A consumação desta teoria do nada, junto com ateísmo cada vez mais freqüente, a uma desilusão imensa e falta de perspectivas políticas, igualitárias, ideológicas, graças a cultura de massa que alastrou desde a classe dominante aos miseráveis. Trouxe essa liberdade quase que total de pensamento como nunca houve testemunha em nossa história.